quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Por que sou Cessacionista

Não estou escrevendo sobre esse assunto por ter a resposta final acerca dos dons espirituais, uma vez que a matéria é difícil e mesmo cristãos que amam a Deus e a Bíblia têm diferentes posições sobre o assunto. Os leitores devem saber que Sam Storms e eu somos amigos. Nós nos amamos, mesmo discordando em uma questão que é secundária ou terciária, e ao mesmo tempo defendemos a importância da verdade. Ao longo dos anos eu me convenci de que alguns dos chamados dons carismáticos não são mais dados à igreja e já não fazem mais parte da vida regular da igreja. Estou falando particularmente dos dons de apostolado, profecia, línguas, cura e milagres (e talvez de discernimento de espíritos).
Por que alguém pensaria que alguns dos dons cessaram? Meu argumento é de que tal entendimento se encaixa melhor com a Escritura e com a experiência. A Escritura tem prioridade sobre a experiência, pois ela é a autoridade final, mas a Escritura também deve se correlacionar com a vida, e as nossas experiências devem nos levar a refletir se nós lemos a Bíblia corretamente. Nenhum de nós lê a Bíblia em um vácuo, e, portanto, precisamos voltar para as Escrituras repetidamente para garantir que as lemos fielmente.

Fundação dos apóstolos e dos profetas

Paulo diz que a igreja foi “edificada sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas” (Efésios 2.20). Concluo que tudo o que precisamos saber para a salvação e santificação nos foi dado através do ensinamento dos apóstolos e dos profetas, e que este ensinamento é agora encontrado nas Escrituras. Uma vez que Deus tem falado nos últimos dias através de seu Filho (Hebreus 1.2), nós não precisamos que ele nos envie outras palavras para explicar o que Jesus Cristo realizou em seu ministério, morte e ressurreição. Em vez disso, devemos batalhar “pela fé uma vez por todas confiada aos santos” através dos apóstolos e profetas (Judas 3).
Em outras palavras, nós não temos mais apóstolos como Paulo, Pedro e João. Eles nos deram o ensinamento autoritativo, no qual a igreja ainda vive, e que é o único ensinamento que precisaremos até que Jesus volte. Sabemos que novos apóstolos não aparecerão uma vez que Paulo disse especificamente ter sido o último apóstolo (1Coríntios 15.8). Tiago, irmão de João, não foi substituído após sua morte (Atos 12.2). O termo Apóstolos, em seu sentido técnico, é restrito àqueles que viram o Senhor ressuscitado e que foram comissionados por ele. Ninguém desde os tempos apostólicos se encaixa em tais critérios. Os apóstolos foram designados exclusivamente para os primeiros dias da igreja para estabelecer a doutrina ortodoxa. Não há nada, então, que nos permita dizer que ainda existam apóstolos. Na verdade, se alguém afirma ser um apóstolo hoje, devemos nos preocupar. Tal afirmação abre a porta para falsos ensinos e abusos de autoridade.
Continua após anúncio: 
Se o dom do apostolado acabou, então outros dons podem ter cessado também, uma vez que o fundamento foi lançado pelos apóstolos e pelos profetas (Efésios 2.20). Concluo a partir desse ponto que o dom de profecia também cessou, pois os profetas aqui identificados são do mesmo tipo daqueles mencionados em outros lugares nas Escrituras (cf. 1Coríntios 12.28; Efésios 3:5, 4.11). As igrejas primitivas não tiveram o cânon das Escrituras completo por algum tempo, e, portanto, um ministério profético autoritativo e infalível se fez necessário para o estabelecimento das bases da igreja nos primeiros dias.
O argumento bíblico mais significativo contra o que eu estou propondo é a alegação de que no Novo Testamento (NT) a profecia é diferente da profecia do Antigo Testamento (AT), pois alguns dizem que no AT a profecia é impecável enquanto que no NT ela se mistura com o erro. Mas a ideia de que os profetas do NT poderiam cometer erros não é convincente por várias razões. 1.) O ônus da prova recai sobre aqueles que dizem que a profecia no NT é de natureza diferente da profecia no AT. Os profetas do AT só eram considerados profetas de Deus se eles fossem infalíveis (Deuteronômio 18.15-22). Podemos afirmar mais ou menos o mesmo no NT. 2.) A admoestação para julgar as profecias no lugar dos profetas (1Coríntios 14.29-32; 1Tessalonicenses 5.19-20) é frequentemente apresentada como prova de que o dom de profecia é diferente no NT. Mas este argumento não é convincente porque a única maneira de se julgar profetas em ambos os Testamentos é por meio de suas profecias. Nós só podemos saber se um profeta não é de Deus, se as suas profecias são falsas ou se suas palavras contradizem o ensino bíblico. 3.) Nós não temos nenhum exemplo de um profeta do NT que errou. Ágabo não errou quando profetizou que Paulo seria preso pelos judeus e entregue aos romanos (Atos 21.10-11). Aqueles que dizem que ele errou exigem mais precisão do que as profecias oferecem. Além disso, depois que Paulo foi preso apelou para as palavras de Ágabo, dizendo ter sido entregue aos romanos pelos judeus (Atos 28.17), o que demonstra que ele não achava que Ágabo cometeu algum erro. Ágabo anunciou as palavras do Espírito Santo (Atos 11.28; 21.11), então não temos nenhum exemplo no NT de profetas cujas profecias foram misturadas ao erro.
Alguns protestam dizendo que a minha compreensão é imprecisa uma vez que havia centenas e milhares de profecias nos tempos do NT que não foram canonizadas. Esta objeção não convence, pois o mesmo é verdade para o AT. A maioria das profecias de Elias ou de Eliseu nunca foram escritas ou canonizadas. Podemos pensar também nos 100 profetas poupados por Obadias (1Reis 18.04). Aparentemente nenhuma das suas profecias foi canonizada. No entanto, as profecias eram completamente verdadeiras e sem erro algum. De outro modo eles não teriam sido profetas (Deuteronômio 18.15-22). O mesmo princípio se aplica para as profecias dos profetas do NT. Suas palavras não foram registradas, mas se eles foram realmente profetas, suas palavras eram infalíveis.
O que algumas pessoas atualmente chamam de “profecias” são na verdade impressões de Deus. Ele pode usar impressões para nos orientar e nos conduzir, mas elas não são infalíveis e devem ser sempre testadas à luz das Escrituras. Também devemos consultar conselheiros sábios antes de agirmos baseados nessas impressões. Eu amo meus irmãos e irmãs carismáticos, mas o que eles hoje chamam de “profecia” não é na verdade o dom de profecia bíblico. Impressões dadas por Deus não são a mesma coisa que profecias.

que falar sobre línguas?

O dom de línguas é uma questão ainda mais difícil. Em Atos (2.1-4, 10.44-48, 19.1-7) esse dom é símbolo da chegada da era do cumprimento em que as promessas da aliança de Deus seriam realizadas. 1Coríntios 14.1-5 e Atos 2.17-18 também sugerem que as línguas, quando interpretadas (ou compreendidas), são equivalentes à profecia. Parece, então, que os dons de profecia e de línguas estão intimamente relacionados. Se a profecia já cessou, então é provável que as línguas também tenham cessado. Além disso, é evidente a partir de Atos que o dom envolve o falar em línguas estrangeiras (Atos 2), e Pedro enfatiza, no caso de Cornélio e seus amigos, que os gentios receberam o mesmo dom que os judeus (Atos 11.16-17).
Também não é convincente dizer que o dom citado em 1Coríntios 12-14 é de natureza diferente (isto é, expressões de êxtase). A palavra “línguas” (glōssa) denota um código linguístico, uma linguagem estruturada, e não vocalização aleatória e livre. Quando Paulo diz que ninguém entende aqueles que falam em línguas, porque eles proferem mistérios (1Coríntios 14.2), ele não está sugerindo que o dom é diferente daquele que encontramos em Atos. Aqueles que ouviram as línguas em Atos entenderam o que estava sendo dito porque eles conheciam as línguas que os apóstolos estavam falando. Se ninguém conhece a língua, então aquele que a pronuncia fala mistérios. 1Coríntios 13.1 (língua dos anjos) também não dá suporte à noção de que o dom de línguas é constituído por expressões de êxtase. Paulo claramente utiliza uma hipérbole em 1Coríntios 13.1-3. Ele está claramente exagerando ao se referir ao dom de profecia (1Coríntios 13.2), porque ninguém que profetiza conhece “todos os mistérios e toda a ciência”.
Eu acredito que o que está acontecendo nos círculos carismáticos atualmente a respeito das línguas é semelhante ao que vimos acontecer com a profecia. O dom foi redefinido para incluir uma espécie de vocalização livre, e então as pessoas afirmam ter o dom descrito nas Escrituras. Ao fazer isso eles redefinem o dom para acomodar sua experiência contemporânea. Isso significa que as línguas contemporâneas são demoníacas, então? Acho que não. Concordo com J. I. Packer que diz que a experiência é mais uma forma de relaxamento psicológico.

Milagres e curas

O que podemos falar sobre milagres e curas? Em primeiro lugar, eu acredito que hoje Deus ainda cura e realiza milagres, e que devemos orar por isso. As Escrituras não são tão claras sobre esse assunto, de forma que esse dom poderia ainda existir. Ainda assim, a principal função desses dons era credenciar a mensagem do evangelho, confirmando que Jesus era tanto Senhor quanto Cristo. Eu duvido que o dom de milagres e curas ainda exista, por que não é evidente que homens e mulheres em nossas igrejas possuam tais dons. Certamente Deus pode curar e cura, às vezes, mas onde estão as pessoas com esses dons? Supostos milagres e curas devem ser verificados, assim como o povo verificou a cura do cego em João 9. Há uma espécie de ceticismo biblicamente justificado.
Agora, será que Deus poderia, em situações missionárias extremas, conceder milagres, sinais e prodígios para credenciar o evangelho como ele fez nos tempos apostólicos? Sim. Mas isso não é a mesma coisa que ter esses dons como uma característica normal no cotidiano da igreja. Se os sinais e maravilhas dos apóstolos tivessem voltado, deveríamos ver o cego recebendo a visão, os coxos andando e os mortos sendo ressuscitados. Deus cura hoje (às vezes de forma dramática), mas a cura de resfriados, de gripe, de DTM, problemas no estômago e nas costas, e assim por diante, não estão na mesma categoria que as curas encontradas nas Escrituras. Se as pessoas realmente têm, hoje em dia, o dom de cura e milagres, elas precisam demonstra-lo através da realização dos tipos de curas e milagres encontrados na Bíblia.

1Coríntios 13.8-12 não contradiz a sua opinião?

Vamos considerar uma objeção à noção de que alguns dos dons cessaram. Será que 1Coríntios 13.8-12 não ensina que os dons durarão até Jesus voltar? Certamente esse texto ensina que os dons poderiam durar até a volta de Jesus. Não há ensinamento definitivo na Bíblia de que eles cessaram. Podemos até esperar que durem até a segunda vinda. Mas vemos indícios em Efésios 2.20 e outros textos de que os dons exerceram seu papel na fundação da igreja. Concluo, então, que 1Coríntios 13.8-12 permite, mas não exige, que os dons continuem até a segunda vinda. E que os dons, da maneira como são praticados hoje, não se encaixam na descrição bíblica desses dons.
Por razões como essas os reformadores e grande parte da tradição protestante até o século 20 acreditavam que os dons cessaram. Concluo que tanto a Escritura quanto a experiência atestam o seu julgamento sobre o assunto.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018


Um cristão pode ser maçom?


A discussão a respeito de que um cristão pode ser maçom ou não é antiga.

Já foi a causa, inclusive, de divisões entre denominações, como a Presbiteriana em 1902. A questão maçônica havia sido levantada, devido a presença de pastores, presbíteros e membros comuns assumidamente maçons; discutiram se era lícito ou não um cristão fazer parte da maçonaria. Apesar disso, a intenção deste artigo não é o de discursar longamente a respeito do assunto, mas apenas mostrar alguns aspectos da maçonaria e analisarmos se de fato existe ou não uma incompatibilidade entre a maçonaria e o cristianismo.
Comecemos, então pelo ritual de iniciação. a Cerimônia de Primeiro Grau significa o nascimento, ou o nascimento do conhecimento. O candidato à iniciação é tido como alguém que está em trevas (ignorância) e deve seguir para a luz (conhecimento) maçônica. Algo que, segundo a revista, modificará a vida do iniciado para sempre; a forma como a cerimônia é praticada variará para cada parte ou cultura do mundo.
Um dos “princípios do credo maçônico” mais valorizados é a busca pela verdade. Para eles, não é suficiente apenas caminhar “na direção da luz”, também devem seguir “na direção da verdade”, pois ela é “a fundação, a base, de todas as virtudes da maçonaria.” Tal busca pela verdade é o que poderá tornar os maçons homens verdadeiramente livres. Esta busca, é claro, sempre é feita através dos estudos religiosos, científicos e filosóficos.
Uma vez iniciado, um maçom “jamais deixará de ser maçom”, mesmo que se torne uma “anátema”, como eles mesmos dizem. O que significa que se alguém decidir deixar de comungar com o restante da fraternidade maçônica, esse alguém está proibido de comunicar aos que são de fora tudo aquilo que ele viu, ouviu e aprendeu nas lojas maçônicas, assim como faz qualquer maçom.
Já no que diz respeito a crença no divino, a maçonaria reconhece a existência de apenas um deus: G.A.D.U.: Grande Arquiteto Do Universo, que transliterado para outras línguas recebe nomes diferentes e as vezes bem semelhantes. A crença nesta divindade é algo “imprescindível” para fazer parte da maçonaria. Ou seja, todos os maçons devem crer que há um único ser divino que criou todas as coisas.
Para a maçonaria, no princípio de todas as coisas, havia apenas “UM” ser divino que “desdobrou-se na dualidade e na multiplicidade. Em outras palavras, este único ser divino poderia então ser visto na sua multiplicidade, em todas as religiões do mundo. E ao mesmo tempo, eles estariam livres “de dogmas” e de “crenças” dentro da “restrição temporal”.
Baseados apenas nestes pequenos pontos levantados podemos chegar à conclusão de que o cristianismo e a maçonaria NÃO SÃO COMPATÍVEIS. O primeiro motivo encontra-se na ideia de que apenas na maçonaria é possível encontrar a luz e a verdade, e que todos os que estão fora dela estão em trevas. Contudo, o apóstolo João escreveu: “Esta é a mensagem que Dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele treva alguma.”  I João 1.5
Sendo assim, se estamos com Deus, se somos seus filhos, então já estamos na luz, como está escrito: “Mas vós sois geração eleita, sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.” I Pedro 2.9
Também em Cristo já temos liberdade: “Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do julgo da servidão.” Gálatas 5.1
Deus, de fato esteve no princípio de todas as coisas, criando todas as coisas, mas não “desdobrou-se na dualidade” nem na “multiplicidade”, “porque há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” I Timóteo 2.5 E não podemos nos esquivar de seus mandamentos alegando sermos livres de dogmas: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama…” João 14.21
É claro que estes são apenas alguns dos diversos outros pontos existentes. Mas, assim como afirmado no início deste texto, a intenção não era a de escrever um estudo exaustivo sobre a questão. O que foi exposto e devidamente referenciado talvez seja suficiente para entendermos que não há comunhão entre A luz da Fé CRISTÃ e as trevas da maçonaria.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Jesus Cristo, Rei do universo. A Verdade.


Neste último domingo do ano litúrgico, a igreja celebra nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do universo, e há uma passagem nos Evangelhos que deixa bem clara a majestade do Senhor.
Pilatos entrou de novo no pretório, chamou Jesus e lhe disse: Tu és o rei dos judeus? Jesus lhe respondeu: Tu dizes isso por conta própria, ou outros te falaram sobre mim? Pilatos respondeu: Porventura eu sou judeu? O teu povo e os principais sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste? Jesus respondeu: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo os meus servos lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui. Disse-lhe, pois, Pilatos: Então tu és rei? Jesus respondeu: Tu dizes que sou rei. Para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz. Disse-lhe Pilatos: O que é a verdade? E, dizendo isso, voltou para os judeus e lhes disse: Não acho nele crime algum. (Jo 18:33-38).
Jesus era uma personalidade poderosa na Judeia e certamente Pilatos já ouvira muitas coisas a respeito dele e sabia que muitos entre o povo nutriam a esperança de que ele fosse o libertador de Israel das garras romanas.
A pergunta “Tu és o rei dos judeus?” refletia uma tremenda verdade espiritual, mas ao mesmo tempo uma estúpida acusação feita pelos judeus, dando a impressão de que Jesus seria um libertador político que tentava insurgir o povo contra Roma. Esse tipo de informação sempre deixava as autoridades romanas em estado de alerta. Mas, como sabemos, Jesus sempre esteve alheio a questões políticas, concentrando suas ações em favor de um reino que não é deste mundo.
Na verdade, os judeus acusavam Jesus daquilo que era de fato a grande esperança deles próprios: ter um lídeer poderoso que os livrasse da dominação estrangeira; e entregando Jesus a Pôncio Pilatos, eles recusavam o Messias e a verdadeira libertação e se autocondenavam, pois além de perderem os benefícios messiânicos, também expressavam seu caráter desonesto ao fingir que condenavam um líder político, quando isso era exatamente o que eles mais desejavam. Consistentemente, a Escritura diz: “Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova” (Rm 14.22).
Como político experimentado, Pilatos deve ter percebido que havia algo oculto na acusação dos judeus e com esta pergunta queria descobrir por que aquele homem estava sendo acusado: se ele confirmasse ter ambições políticas, seria fácil resolver o problema mediante a lei romana; mas se ele negasse tais pretensões, então ele não teria por que condená-lo, muito menos à morte, que era a pena romana para a insurreição.
A resposta de Jesus foi desafiadora, com outra pergunta: “Tu dizes isso por conta própria ou outros te falaram sobre mim?”. Ou seja, Pilatos teria base para julgar aquele caso ou apenas estava sendo pressionado por rumores e acusações infundadas? Então explicou ao governador que há dois conceitos diferentes de realeza, um terrenal e outro celestial, e que o seu reino não era deste mundo, mas celestial, e que ele nada pretendia com o poder terreno.
Diante da afirmação: “O meu reino não é deste mundo”, Pilatos, talvez surpreso, só podia perguntar: “Então tu és rei?”, e ouviu a confirmação do Senhor: “Tu dizes que sou rei. Para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade”.
O Rei Jesus trouxe aos homens a verdade de Deus: quem é Deus e o que os homens podem saber a respeito dele; o Rei Jesus trouxe aos homens a verdade da salvação: quem é o Salvador e qual é a verdadeira dimensão da salvação; o Rei Jesus trouxe aos homens a verdade do homem: quem é o homem e como ele está afundado no pecado, perdido, longe de Deus, e, sobretudo, qual é o motivo de Deus ter criado o homem. É como está no Catecismo Maior de Westminster: “Qual é o fim supremo e principal do homem? Resposta: O fim supremo e principal do homem e glorificar a Deus e gozá-lo para sempre” (Pergunta 1). Note que não é apenas desfrutá-lo eternamente, mas antes glorificá-lo. Ele é o Rei!
O desempenho de Jesus perante Pilatos naquela hora crucial foi tema de exortação para a igreja, tempos mais tarde:
Combata o bom combate da fé, tome posse da vida eterna, para a qual também você foi chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas. Mando que diante de Deus, que todas as coisas vivifica, e de Cristo Jesus, que diante de Pôncio Pilatos deu o testemunho de boa confissão, que você guarde este mandamento sem mácula e repreensão até a aparição de nosso Senhor Jesus Cristo, a qual a seu tempo mostrará o bem-aventurado e único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores; o único que tem a imortalidade e habita na luz inacessível, a quem nenhum dos homens viu nem pode ver, a quem seja honra e poder eternos. Amém. (1 Tm 6:12-16).
Pilatos, ao ouvir que Jesus havia vindo a este mundo para dar testemunho da verdade, perguntou o que é a verdade, mas não esperou a resposta; saiu e voltou para o lugar em que os judeus estavam reunidos, aguardando seu veredito. Talvez ele tenha feito essa pergunta zombeteiramente, mas pode ser que tenha ficado incomodado, pois sabia que vivia na mentira; o ambiente competitivo e instável em que atuava fazia com que mentisse, fingisse e enganasse o tempo todo a fim de se dar bem, o que, afinal, é o que todo homem mundano quer.
O que é a verdade? Sendo um homem pragmático, Pilatos preferiu virar as costas à resposta. Se ficasse, teria descoberto as palavras de Jesus: “Eu sou a verdade”; teria sido salvo dos seus pecados; teria encontrado razão para existir: “Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos” (At 17:28).
Pilatos não viu crime algum em Jesus, mas assim mesmo o condenou, compelido pelos judeus ― e acabou sendo condenado com eles. Lavar as mãos não o isentou da culpa, apenas lhe deu alguma compensação psicológica temporária, porém ineficaz.
Mas, e você que me lê agora: já sabe o que é a verdade? Ou, dizendo melhor, você já sabe quem é a verdade? A resposta que você der a esta pergunta determinará o seu destino eterno, com Deus em seu reino, ou bem longe dele. Eternamente.
by Rev.
João moreno