sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Jesus Cristo, Rei do universo. A Verdade.


Neste último domingo do ano litúrgico, a igreja celebra nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do universo, e há uma passagem nos Evangelhos que deixa bem clara a majestade do Senhor.
Pilatos entrou de novo no pretório, chamou Jesus e lhe disse: Tu és o rei dos judeus? Jesus lhe respondeu: Tu dizes isso por conta própria, ou outros te falaram sobre mim? Pilatos respondeu: Porventura eu sou judeu? O teu povo e os principais sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste? Jesus respondeu: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo os meus servos lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui. Disse-lhe, pois, Pilatos: Então tu és rei? Jesus respondeu: Tu dizes que sou rei. Para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz. Disse-lhe Pilatos: O que é a verdade? E, dizendo isso, voltou para os judeus e lhes disse: Não acho nele crime algum. (Jo 18:33-38).
Jesus era uma personalidade poderosa na Judeia e certamente Pilatos já ouvira muitas coisas a respeito dele e sabia que muitos entre o povo nutriam a esperança de que ele fosse o libertador de Israel das garras romanas.
A pergunta “Tu és o rei dos judeus?” refletia uma tremenda verdade espiritual, mas ao mesmo tempo uma estúpida acusação feita pelos judeus, dando a impressão de que Jesus seria um libertador político que tentava insurgir o povo contra Roma. Esse tipo de informação sempre deixava as autoridades romanas em estado de alerta. Mas, como sabemos, Jesus sempre esteve alheio a questões políticas, concentrando suas ações em favor de um reino que não é deste mundo.
Na verdade, os judeus acusavam Jesus daquilo que era de fato a grande esperança deles próprios: ter um lídeer poderoso que os livrasse da dominação estrangeira; e entregando Jesus a Pôncio Pilatos, eles recusavam o Messias e a verdadeira libertação e se autocondenavam, pois além de perderem os benefícios messiânicos, também expressavam seu caráter desonesto ao fingir que condenavam um líder político, quando isso era exatamente o que eles mais desejavam. Consistentemente, a Escritura diz: “Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova” (Rm 14.22).
Como político experimentado, Pilatos deve ter percebido que havia algo oculto na acusação dos judeus e com esta pergunta queria descobrir por que aquele homem estava sendo acusado: se ele confirmasse ter ambições políticas, seria fácil resolver o problema mediante a lei romana; mas se ele negasse tais pretensões, então ele não teria por que condená-lo, muito menos à morte, que era a pena romana para a insurreição.
A resposta de Jesus foi desafiadora, com outra pergunta: “Tu dizes isso por conta própria ou outros te falaram sobre mim?”. Ou seja, Pilatos teria base para julgar aquele caso ou apenas estava sendo pressionado por rumores e acusações infundadas? Então explicou ao governador que há dois conceitos diferentes de realeza, um terrenal e outro celestial, e que o seu reino não era deste mundo, mas celestial, e que ele nada pretendia com o poder terreno.
Diante da afirmação: “O meu reino não é deste mundo”, Pilatos, talvez surpreso, só podia perguntar: “Então tu és rei?”, e ouviu a confirmação do Senhor: “Tu dizes que sou rei. Para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade”.
O Rei Jesus trouxe aos homens a verdade de Deus: quem é Deus e o que os homens podem saber a respeito dele; o Rei Jesus trouxe aos homens a verdade da salvação: quem é o Salvador e qual é a verdadeira dimensão da salvação; o Rei Jesus trouxe aos homens a verdade do homem: quem é o homem e como ele está afundado no pecado, perdido, longe de Deus, e, sobretudo, qual é o motivo de Deus ter criado o homem. É como está no Catecismo Maior de Westminster: “Qual é o fim supremo e principal do homem? Resposta: O fim supremo e principal do homem e glorificar a Deus e gozá-lo para sempre” (Pergunta 1). Note que não é apenas desfrutá-lo eternamente, mas antes glorificá-lo. Ele é o Rei!
O desempenho de Jesus perante Pilatos naquela hora crucial foi tema de exortação para a igreja, tempos mais tarde:
Combata o bom combate da fé, tome posse da vida eterna, para a qual também você foi chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas. Mando que diante de Deus, que todas as coisas vivifica, e de Cristo Jesus, que diante de Pôncio Pilatos deu o testemunho de boa confissão, que você guarde este mandamento sem mácula e repreensão até a aparição de nosso Senhor Jesus Cristo, a qual a seu tempo mostrará o bem-aventurado e único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores; o único que tem a imortalidade e habita na luz inacessível, a quem nenhum dos homens viu nem pode ver, a quem seja honra e poder eternos. Amém. (1 Tm 6:12-16).
Pilatos, ao ouvir que Jesus havia vindo a este mundo para dar testemunho da verdade, perguntou o que é a verdade, mas não esperou a resposta; saiu e voltou para o lugar em que os judeus estavam reunidos, aguardando seu veredito. Talvez ele tenha feito essa pergunta zombeteiramente, mas pode ser que tenha ficado incomodado, pois sabia que vivia na mentira; o ambiente competitivo e instável em que atuava fazia com que mentisse, fingisse e enganasse o tempo todo a fim de se dar bem, o que, afinal, é o que todo homem mundano quer.
O que é a verdade? Sendo um homem pragmático, Pilatos preferiu virar as costas à resposta. Se ficasse, teria descoberto as palavras de Jesus: “Eu sou a verdade”; teria sido salvo dos seus pecados; teria encontrado razão para existir: “Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos” (At 17:28).
Pilatos não viu crime algum em Jesus, mas assim mesmo o condenou, compelido pelos judeus ― e acabou sendo condenado com eles. Lavar as mãos não o isentou da culpa, apenas lhe deu alguma compensação psicológica temporária, porém ineficaz.
Mas, e você que me lê agora: já sabe o que é a verdade? Ou, dizendo melhor, você já sabe quem é a verdade? A resposta que você der a esta pergunta determinará o seu destino eterno, com Deus em seu reino, ou bem longe dele. Eternamente.
by Rev.
João moreno

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