quinta-feira, 27 de dezembro de 2018


Um cristão pode ser maçom?


A discussão a respeito de que um cristão pode ser maçom ou não é antiga.

Já foi a causa, inclusive, de divisões entre denominações, como a Presbiteriana em 1902. A questão maçônica havia sido levantada, devido a presença de pastores, presbíteros e membros comuns assumidamente maçons; discutiram se era lícito ou não um cristão fazer parte da maçonaria. Apesar disso, a intenção deste artigo não é o de discursar longamente a respeito do assunto, mas apenas mostrar alguns aspectos da maçonaria e analisarmos se de fato existe ou não uma incompatibilidade entre a maçonaria e o cristianismo.
Comecemos, então pelo ritual de iniciação. a Cerimônia de Primeiro Grau significa o nascimento, ou o nascimento do conhecimento. O candidato à iniciação é tido como alguém que está em trevas (ignorância) e deve seguir para a luz (conhecimento) maçônica. Algo que, segundo a revista, modificará a vida do iniciado para sempre; a forma como a cerimônia é praticada variará para cada parte ou cultura do mundo.
Um dos “princípios do credo maçônico” mais valorizados é a busca pela verdade. Para eles, não é suficiente apenas caminhar “na direção da luz”, também devem seguir “na direção da verdade”, pois ela é “a fundação, a base, de todas as virtudes da maçonaria.” Tal busca pela verdade é o que poderá tornar os maçons homens verdadeiramente livres. Esta busca, é claro, sempre é feita através dos estudos religiosos, científicos e filosóficos.
Uma vez iniciado, um maçom “jamais deixará de ser maçom”, mesmo que se torne uma “anátema”, como eles mesmos dizem. O que significa que se alguém decidir deixar de comungar com o restante da fraternidade maçônica, esse alguém está proibido de comunicar aos que são de fora tudo aquilo que ele viu, ouviu e aprendeu nas lojas maçônicas, assim como faz qualquer maçom.
Já no que diz respeito a crença no divino, a maçonaria reconhece a existência de apenas um deus: G.A.D.U.: Grande Arquiteto Do Universo, que transliterado para outras línguas recebe nomes diferentes e as vezes bem semelhantes. A crença nesta divindade é algo “imprescindível” para fazer parte da maçonaria. Ou seja, todos os maçons devem crer que há um único ser divino que criou todas as coisas.
Para a maçonaria, no princípio de todas as coisas, havia apenas “UM” ser divino que “desdobrou-se na dualidade e na multiplicidade. Em outras palavras, este único ser divino poderia então ser visto na sua multiplicidade, em todas as religiões do mundo. E ao mesmo tempo, eles estariam livres “de dogmas” e de “crenças” dentro da “restrição temporal”.
Baseados apenas nestes pequenos pontos levantados podemos chegar à conclusão de que o cristianismo e a maçonaria NÃO SÃO COMPATÍVEIS. O primeiro motivo encontra-se na ideia de que apenas na maçonaria é possível encontrar a luz e a verdade, e que todos os que estão fora dela estão em trevas. Contudo, o apóstolo João escreveu: “Esta é a mensagem que Dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele treva alguma.”  I João 1.5
Sendo assim, se estamos com Deus, se somos seus filhos, então já estamos na luz, como está escrito: “Mas vós sois geração eleita, sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.” I Pedro 2.9
Também em Cristo já temos liberdade: “Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do julgo da servidão.” Gálatas 5.1
Deus, de fato esteve no princípio de todas as coisas, criando todas as coisas, mas não “desdobrou-se na dualidade” nem na “multiplicidade”, “porque há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” I Timóteo 2.5 E não podemos nos esquivar de seus mandamentos alegando sermos livres de dogmas: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama…” João 14.21
É claro que estes são apenas alguns dos diversos outros pontos existentes. Mas, assim como afirmado no início deste texto, a intenção não era a de escrever um estudo exaustivo sobre a questão. O que foi exposto e devidamente referenciado talvez seja suficiente para entendermos que não há comunhão entre A luz da Fé CRISTÃ e as trevas da maçonaria.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Jesus Cristo, Rei do universo. A Verdade.


Neste último domingo do ano litúrgico, a igreja celebra nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do universo, e há uma passagem nos Evangelhos que deixa bem clara a majestade do Senhor.
Pilatos entrou de novo no pretório, chamou Jesus e lhe disse: Tu és o rei dos judeus? Jesus lhe respondeu: Tu dizes isso por conta própria, ou outros te falaram sobre mim? Pilatos respondeu: Porventura eu sou judeu? O teu povo e os principais sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste? Jesus respondeu: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo os meus servos lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui. Disse-lhe, pois, Pilatos: Então tu és rei? Jesus respondeu: Tu dizes que sou rei. Para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz. Disse-lhe Pilatos: O que é a verdade? E, dizendo isso, voltou para os judeus e lhes disse: Não acho nele crime algum. (Jo 18:33-38).
Jesus era uma personalidade poderosa na Judeia e certamente Pilatos já ouvira muitas coisas a respeito dele e sabia que muitos entre o povo nutriam a esperança de que ele fosse o libertador de Israel das garras romanas.
A pergunta “Tu és o rei dos judeus?” refletia uma tremenda verdade espiritual, mas ao mesmo tempo uma estúpida acusação feita pelos judeus, dando a impressão de que Jesus seria um libertador político que tentava insurgir o povo contra Roma. Esse tipo de informação sempre deixava as autoridades romanas em estado de alerta. Mas, como sabemos, Jesus sempre esteve alheio a questões políticas, concentrando suas ações em favor de um reino que não é deste mundo.
Na verdade, os judeus acusavam Jesus daquilo que era de fato a grande esperança deles próprios: ter um lídeer poderoso que os livrasse da dominação estrangeira; e entregando Jesus a Pôncio Pilatos, eles recusavam o Messias e a verdadeira libertação e se autocondenavam, pois além de perderem os benefícios messiânicos, também expressavam seu caráter desonesto ao fingir que condenavam um líder político, quando isso era exatamente o que eles mais desejavam. Consistentemente, a Escritura diz: “Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova” (Rm 14.22).
Como político experimentado, Pilatos deve ter percebido que havia algo oculto na acusação dos judeus e com esta pergunta queria descobrir por que aquele homem estava sendo acusado: se ele confirmasse ter ambições políticas, seria fácil resolver o problema mediante a lei romana; mas se ele negasse tais pretensões, então ele não teria por que condená-lo, muito menos à morte, que era a pena romana para a insurreição.
A resposta de Jesus foi desafiadora, com outra pergunta: “Tu dizes isso por conta própria ou outros te falaram sobre mim?”. Ou seja, Pilatos teria base para julgar aquele caso ou apenas estava sendo pressionado por rumores e acusações infundadas? Então explicou ao governador que há dois conceitos diferentes de realeza, um terrenal e outro celestial, e que o seu reino não era deste mundo, mas celestial, e que ele nada pretendia com o poder terreno.
Diante da afirmação: “O meu reino não é deste mundo”, Pilatos, talvez surpreso, só podia perguntar: “Então tu és rei?”, e ouviu a confirmação do Senhor: “Tu dizes que sou rei. Para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade”.
O Rei Jesus trouxe aos homens a verdade de Deus: quem é Deus e o que os homens podem saber a respeito dele; o Rei Jesus trouxe aos homens a verdade da salvação: quem é o Salvador e qual é a verdadeira dimensão da salvação; o Rei Jesus trouxe aos homens a verdade do homem: quem é o homem e como ele está afundado no pecado, perdido, longe de Deus, e, sobretudo, qual é o motivo de Deus ter criado o homem. É como está no Catecismo Maior de Westminster: “Qual é o fim supremo e principal do homem? Resposta: O fim supremo e principal do homem e glorificar a Deus e gozá-lo para sempre” (Pergunta 1). Note que não é apenas desfrutá-lo eternamente, mas antes glorificá-lo. Ele é o Rei!
O desempenho de Jesus perante Pilatos naquela hora crucial foi tema de exortação para a igreja, tempos mais tarde:
Combata o bom combate da fé, tome posse da vida eterna, para a qual também você foi chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas. Mando que diante de Deus, que todas as coisas vivifica, e de Cristo Jesus, que diante de Pôncio Pilatos deu o testemunho de boa confissão, que você guarde este mandamento sem mácula e repreensão até a aparição de nosso Senhor Jesus Cristo, a qual a seu tempo mostrará o bem-aventurado e único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores; o único que tem a imortalidade e habita na luz inacessível, a quem nenhum dos homens viu nem pode ver, a quem seja honra e poder eternos. Amém. (1 Tm 6:12-16).
Pilatos, ao ouvir que Jesus havia vindo a este mundo para dar testemunho da verdade, perguntou o que é a verdade, mas não esperou a resposta; saiu e voltou para o lugar em que os judeus estavam reunidos, aguardando seu veredito. Talvez ele tenha feito essa pergunta zombeteiramente, mas pode ser que tenha ficado incomodado, pois sabia que vivia na mentira; o ambiente competitivo e instável em que atuava fazia com que mentisse, fingisse e enganasse o tempo todo a fim de se dar bem, o que, afinal, é o que todo homem mundano quer.
O que é a verdade? Sendo um homem pragmático, Pilatos preferiu virar as costas à resposta. Se ficasse, teria descoberto as palavras de Jesus: “Eu sou a verdade”; teria sido salvo dos seus pecados; teria encontrado razão para existir: “Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos” (At 17:28).
Pilatos não viu crime algum em Jesus, mas assim mesmo o condenou, compelido pelos judeus ― e acabou sendo condenado com eles. Lavar as mãos não o isentou da culpa, apenas lhe deu alguma compensação psicológica temporária, porém ineficaz.
Mas, e você que me lê agora: já sabe o que é a verdade? Ou, dizendo melhor, você já sabe quem é a verdade? A resposta que você der a esta pergunta determinará o seu destino eterno, com Deus em seu reino, ou bem longe dele. Eternamente.
by Rev.
João moreno